MCI Brasil adquire a JZ, voltada para congressos

MCI Brasil adquire a JZ voltada para congressos sem borda

A MCI Brasil não divulga resultados financeiros. Juliano Lissoni, diretor-geral da MCI Brasil, disse apenas que a companhia movimentou R$ 30 milhões em 2013 com a organização de eventos, o que representou um aumento de 50% sobre o ano anterior. Para este ano, a expectativa é que esse valor aumente para R$ 80 milhões. A maior parte do crescimento será efeito da aquisição. “Com a compra, a MCI vai competir no segmento de eventos para entidades de classe, uma área em que a participação era pequena”, afirmou Lissoni.

A JZ Brasil é especializada na realização de congressos médicos e concorre no segmento com outras cinco empresas de pequeno porte. Juarez de Carvalho Filho, diretor-executivo e sócio da JZ Brasil, disse ter visto na operação uma forma de diversificar a área de atuação – com a realização, por exemplo, de eventos voltados ao público geral – e de ganhar musculatura para competir no segmento. Como parte do acordo, Carvalho vai comandar a área de congressos da MCI Brasil. “É a chance de mudar de uma empresa familiar para uma empresa global. Estou me adaptando, mas não me sinto na casa dos outros, me sinto em casa”, disse o executivo.

Para Lissoni, o fato de as duas companhias possuírem uma cultura semelhante facilitou o processo de aquisição. O negócio demorou seis meses para ser concluído.

Após a aquisição, a MCI Brasil dobra o número de funcionários, para 60 pessoas, assim como a receita (que é mantida em sigilo) e a movimentação econômica. Nos próximos dois anos, a marca JZ Congressos ainda será mantida, mas depois desse prazo, prevalecerá a marca MCI Brasil.

Lissoni afirmou ainda que a companhia planeja fazer pelo menos mais uma aquisição este ano, para manter o ritmo acelerado de crescimento. O executivo estima que a América Latina represente em torno de 6% do faturamento da operação global do grupo suíço MCI e a meta é que a região responda por 18% do faturamento em cinco anos. “O Brasil é o país mais promissor da região e, para atingir essa meta, será necessário realizar novas aquisições”, afirmou Lissoni. O grupo MCI, que em 2012 teve uma receita de € 280 milhões, tem como meta global ampliar a sua participação para 80 países até 2020, ante 28 países atendidos hoje.

A MCI atua no Brasil há quatro anos. A companhia começou a competir no país por meio de uma joint-venture com a Alatur JTB. No ano passado, o grupo japonês JTB adquiriu 47% de participação no grupo brasileiro de turismo Alatur, dando origem à Alatur JTB. A união das companhias tinha como objetivo acelerar o crescimento no país para alcançar a liderança do mercado de viagens e eventos corporativos, que tem como maior empresa do setor a franco-americana Carlson Wagonlit Travel (CWT). Uma das metas da Alatur JTB era realizar aquisições para avançar rapidamente no país, o que seria feito pela própria companhia ou por meio da joint-venture com a MCI.

Ricardo Ferreira, sócio-executivo do grupo Alatur, disse que a companhia fechou 2013 com uma receita de R$ 1,4 bilhão, com crescimento de 8% em relação ao ano anterior. Para 2014, a meta é registrar um crescimento em torno de 11%. Na visão do executivo, a compra da JZ Eventos é pequena em relação ao tamanho da Alatur, mas está em linha com o projeto do grupo de ampliar a atuação com negócios que vão além da venda de passagens e reservas de hotéis. “É relevante ter no portfólio uma área especializada em congressos”, disse o executivo.

Na visão de Ferreira, o crescimento da Alatur este ano será favorecido pela realização da Copa do Mundo no Brasil. A companhia atua nos segmentos de viagens corporativas, eventos e logística de viagens para pessoas físicas. O executivo disse que a Alatur fechou contratos com grupos de estrangeiros que contrataram a companhia para cuidar de reservas, passagens e locomoção para assistir aos jogos da Copa. “As empresas que só fazem eventos e viagens corporativas vão sofrer mais este ano”, disse Ferreira.

André Carvalhal, presidente da rival Carlson Wagonlit Travel (CWT), divide a mesma opinião. “O mercado de viagens corporativas sente muito os reflexos da economia. Se a economia anda de lado, as empresas acabam reduzindo as viagens, ou fazendo as viagens de maneira mais econômica”, disse o executivo.

Carvalhal considera 2014 um ano complicado para o segmento, devido ao crescimento fraco da economia e à Copa do Mundo, que vai prejudicar a realização de viagens e de eventos no período dos jogos. Ele disse ainda que pode haver instabilidade política em função das eleições e, se isso ocorrer, as empresas também tendem a reduzir gastos com viagens e eventos.

A companhia não divulga o resultado de 2013. Em 2012, a CWT registrou faturamento de R$ 1,6 bilhão. Para 2014, Carvalhal disse que a meta é crescer de 5% a 7%, um incremento que será obtido principalmente com o aumento da carteira de clientes. O executivo não descarta a possibilidade de realizar uma aquisição no ano, mas disse que não há nenhuma negociação em fase avançada no momento.

Edmar Bull, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) calcula para este ano um crescimento de dois dígitos no mercado. Em 2013, a entidade estima que a receita do setor tenha atingido R$ 13 bilhões, com avanço de 18% frente ao ano anterior. A Abracorp reúne 32 empresas que atuam nos segmentos de reservas de vendas de passagens aéreas, reservas de hotéis, locação de veículos, serviços de transfer e outros.

A Invistia Fusões e Aquisições foi a assessoria financeira exclusiva da MCI neste processo.
Fonte: Valor Econômico | Por Cibelle Bouças

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